Gyaru: Subcultura ou Estilo?

Postado por Mariko

Eu estava escrevendo um post aqui pro site com um mega glossário de termos utilizados em gyaru e em moda japonesa no geral, quando, ao organizar o glossário em tópicos, me deparei com a velha discussão: Isso é estilo, sub-estilo ou trend (tendência)?

É muito intuitivo considerar gyaru como estilo, agejo/yamanba/kogal/himegyaru/etc como sub-estilo e amekaji/rokku/etc como trend. Aliás, é como usualmente vejo todo mundo considerar desde sempre.

Mas há algum tempo os termos estilo e sub-estilo andavam me incomodando e eu não sabia dizer ao certo o porquê. Bem, é simples…
A definição de estilo, segundo o dicionário Michaelis é:

sm (lat stilu) 1 Feição especial, caráter de uma produção artística de certa época ou certo povo. 2 Hábito, prática, praxe, costume.

Ou seja, quando falamos em estilo, estamos nos referindo à aparência no geral. Mas é fato que gyaru é muito mais do que apenas aparência. No Japão, gyaru é algo que foi (e de certa forma ainda é) intrinsecamente ligado ao comportamento, linguagem, classe social, idade, gostos pessoais, ideais e não somente aparências.

Assim sendo, podemos falar em subcultura. E o que é subcultura?

Subcultura é um termo utilizado em sociologia, antropologia e estudos culturais para denominar um grupo minoritário de pessoas em oposição ao que é “mainstream“, basicamente. Dick Hebdige, socialista britânico, escreveu em seu livro “Subculture the Meaning of Style” que é possível entender subculturas como um grupo de indivíduos com ideias e pensamentos similares que se sentem negligenciados pelos padrões sociais, formando, assim, suas próprias identidades. Ele também diz que membros de uma subcultura se identificam a partir de um distintivo e simbólico uso de um estilo, que inclui moda, maneirismos e gírias. (Perceba que aqui o estilo tem um propósito).
Segundo Yuniya Kawamura em seu livro “Fashioning Japanese Subcultures”, subcultura é um sistema de valores, atitudes, modos de agir e pensar e life-style de um grupo social que é distinto, porém relacionado, à cultura dominante da sociedade.

Livro "Fashioning Japanese Subcultures"

Livro “Fashioning Japanese Subcultures”

Se você leu a série dos nossos posts “Gyaru, uma história” parte I, parte II, parte III e parte IV, você já percebeu que isso define gyaru com perfeição e não só isso! Também define kogyaru, yamanba, ganguro, dentre outros. Todos esses grupos podem ser considerados subculturas.

ganguro_girls

Mas, como eu disse, isso tudo aconteceu dessa forma lá no Japão. Agora, aqui no Brasil, gyaru pode ser considerado subcultura? Como alguém que observa esse meio há aproximadamente 7 anos, eu diria que não. Ao meu ver, a maioria de nós curte a estética da coisa, gosta de se vestir diferente do usual, mas não a ponto de se tornar cultural, de possuir os mesmos gostos, os mesmos comportamentos, etc. Ou seja, para nós não passa de um estilo.

Em suma e particularmente falando, considero as gyarus japonesas como parte de uma subcultura e as gyarus brasileiras como seguidoras de um estilo. Acho plausível dizer que seguimos o estilo gyaru, mas dizer que fazemos parte da subcultura gyaru soa muito forçado, dado que naturalmente costumamos nos desvincular com coisas relacionadas a comportamento e life-style.

Com este pensamento, também podemos desvincular qualquer subcultura relacionada à gyaru com regras como, por exemplo, idade. Não é porque no Japão apenas colegiais são consideradas kogyaru que você, universitária, não pode se estilizar como uma. Não é porque as yamanbas estão extintas no Japão que você não pode se estilizar como uma. Todas essas características sociais definem estatisticamente como foram formadas as subculturas, não definem regra.
Vista-se como sentir vontade de se vestir e seja feliz!

Gyaru

 

Depois de toda essa linguística, eu gostaria de saber de você o que acha, se concorda, se tem outra opinião, etc. Estou sempre aberta à discussões!
(e continuo trabalhando no glossário, aguardem!)




Vale a pena gastar muito pra ser gyaru?

Postado por Mariko

Se você é aquela pessoa que economiza cada centavo arduamente pra gastar tudo em brand ou circle lens, ou aquela que gasta todo seu tempo livre procurando lojas na internet e treinando maquiagem, te pergunto: Vale a pena gastar muito pra ser gyaru?

A minha resposta: Depende.

Há situação saudáveis e não saudáveis quanto a isso e isso dependerá muito da sua mentalidade, das suas ambições, dos seus hobbies, etc. NÃO será saudável se você:

  • estiver deixando de ter uma vida social pelo fato de estar economizando dinheiro pra comprar aquele item essencial
  • deixar de lado todos seus hobbies pra se dedicar à gyaru, por mais que este também seja um
  • só quer ter status na internet ou só quer fazer parte pra receber atenção alheia

Pra que todo esse gasto de tempo e dinheiro valha a pena, acima de qualquer outra coisa você precisa realmente gostar daquilo. Não somente gostar, como também SE IDENTIFICAR. Além disso, continuar sendo feliz.

(Parece clichê falar em felicidade, mas…)

Essa felicidade em relação à gyaru, diga-se de passagem, é algo que deve partir de você e somente você. Ela não deve depender de fatores externos (ex: likes no facebook, fama, etc), jamais. Às vezes pode ser algo difícil de separar, mas um pequeno teste que você pode fazer é:

Você consegue se montar inteira pra sair e se divertir sem sequer tirar uma foto sua pra compartilhar na internet?

Se sim, você provavelmente se identifica com gyaru.
Gyaru deve ser uma parte de você e não você uma parte dela. Ou seja, isso tem que estar na sua essência, tem que ser o jeito que você prefere as coisas sem ao menos ter que pensar nisso.

Colecione momentos, não coisas.

Termino o post com essa frase que, pra mim, resume tudo. Nunca, jamais, coloque gyaru acima de qualquer outra coisa na sua vida.

E um conselho? Não tenha tanta pressa.

 




4 Dicas para montar um look de maneira rápida

Postado por Mariko

Sei como não é fácil decidir o que vestir, afinal, que mulher nunca passou por isso, né?
Nos nossos dias corridos, vira e mexe nos deparamos com uma situação em que precisamos decidir rápido, mas como decidir rápido sem errar e sem ficar feio? Como não precisar experimentar várias combinações na frente do espelho e conseguir ganhar tempo?

Bem, eu normalmente não costumo demorar pra decidir o que vestir e, definitivamente, eu não sou daquelas pessoas que se matam pra decidir um look quinhentos dias antes de um compromisso.  Se você também quer aprender a ganhar tempo, preste atenção nas minhas dicas (que também são rápidas):

 

1. Conheça muito bem as peças que você tem

Conhecer bem seu armário não é simplesmente lembrar quais peças você tem, mas se trata principalmente de saber qual é o caimento delas em você. Essa é a chave principal pra quem quer se livrar de ficar horas experimentando roupa na frente do espelho antes de sair.
Dicas:

  • Na hora de comprar uma peça, experimente-a e observe bem os detalhes. Afinal, pra fazer compras a gente sempre tem todo o tempo do mundo, certo? ;)  Aproveite esse primeiro contato pra conhecer bem a peça que você irá comprar e evitar decepções futuras. Além disso, compre pensando em quais combinações você poderia fazer com ela, junto com as roupas que você já tem no armario.
  • Observe o corte e o tipo de tecido. Isso ajuda a perceber se a peça vai ficar muito agarrada e deixar evidente as gordurinhas, por exemplo.

 

2. Conheça muito bem o seu próprio corpo

Bem, pra você conseguir ter uma boa estimativa de como uma peça vai ficar no seu corpo, você precisa conhecer seu tipo físico.
Dicas:

  • Saiba quais partes do corpo você pode ou não deve deixar em evidência.
  • Algumas combinações não valorizam certos tipos físicos, como saia de comprimento médio e sapato fechado alto no meu caso, que não tenho pernas longas. Saiba quais combinações você deve evitar.

 

3. Decida a peça-chave

Se você tem algum item que queira muito usar, pense em todo o resto do outfit com esse item em mente!
Dicas:

  • Na dúvida, comece pelos sapatos! Se sabemos que vamos ter que andar muito, já é possível descartar todos os sapatos desconfortáveis e/ou altos e, por consequência, todas as roupas que “pedem” por elas.
  • Na falta de tempo, escolha algo que você já sabe que cai bem em você e que não tem erro, preferencialmente algo que você já tenha usado antes.
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4. Seja observador e crítico
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Esteja sempre atento à toda sua volta, entenda isso como um treinamento diário. Você aprende muito vendo fotos e pessoas andando nas ruas, observe-as (discretamente!). Com o tempo e essa experiência, você começa a ficar mais rápido nas suas escolhas e, também, errando menos!
Dicas:
  •  O tumblrlookbook e outros sites são muito eficientes pra se inspirar todos os dias!
  • Seja seu maior crítico, sempre pense no que você poderia melhorar na próxima tentativa
  • Saiba que nem todo pensamento vale pra todos os tipos físicos! Tome muito cuidado com o que você lê pela internet.
Você tem outras dicas? Compartilhe conosco nos comentários!



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